Construção da Usina de Belo Monte

A construção da Usina de Belo Monte levantou polêmica, em assuntos como preservação de áreas indígenas e matriz energética nacional.

Barragem de usina hidrelétricaA construção da Usina de Belo Monte foi responsável pelo surgimento de uma série de discussões, e a obra se tornou o centro de uma disputa de interesses e ideologias, principalmente entre governantes, engenheiros, ambientalistas e líderes de comunidades indígenas. A circunstância que gerou mais polêmica diz respeito ao lugar escolhido para a construção de Belo Monte: o Rio Xingu, no Pará, é onde fica o primeiro parque indígena do Brasil, servindo como principal fonte de sobrevivência para mais de 4.500 índios que lá vivem.

O lugar, de fauna e flora riquíssimas, já sofre há algum tempo os golpes da expansão da fronteira agrícola, que agride a região, principalmente através de desmatamentos.  A usina de Belo Monte foi projetada para produzir o equivalente a 10% do consumo energético brasileiro, assumindo o papel de terceira maior hidrelétrica do planeta. A forte oposição das comunidades indígenas da região e de ambientalistas de todo o mundo fez com que a construção da usina de Belo Monte tivesse seu projeto alterado diversas vezes, com sucessivas reduções no tamanho do projeto.

                       

A primeira ideia sobre a construção da usina veio a público em 1989, e a estação teria o nome de Kararaô. Durante um evento nesse ano, vários foram os protestos dos índios da região, e teve início a série de polêmicas que envolveram a construção da usina, que teve o nome posteriormente mudado para Belo Monte (Kararaô significa, em Kaiapó, “grito de guerra”). No dia 20 de abril de 2010, a construção da usina de Belo Monte começou a sair do papel. A maior obra do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) criado pelo governo Lula teve a construção aprovada pelo IBAMA, e o contrato de concessão foi assinado no dia 26 de agosto do mesmo ano.

Construção da Usina de Belo Monte no Rio Xingu

Sting e Cacique RaoniApós a concessão, surgiu uma imensa série de manifestações contrárias à construção da Usina de Belo Monte. O primeiro grande ato público contra a obra aconteceu no dia 12 de abril de 2010, quando o diretor de cinema James Cameron e os atores Sigourney Weaver e Joel David Moore fora à imprensa falar contra a construção de Belo Monte. Ainda no mesmo mês, manifestantes do Greenpeace despejaram uma tonelada de esterco bovino na porta de entrada da ANEEL.

O cacique Raoni, representante mais influente da comunidade indígena brasileira, lançou o livro “Memórias de Um Chefe Indígena”, e na cerimônia de lançamento, ameaçou matar todos os brancos que construíssem barragens em Belo Monte. Em abril de 2011, foi pedida pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos a suspensão da construção da usina, após o clima de tensão criado pelos protestos e movimentos contrários à obra. Durante o resto desse ano, houve uma sucessão de aprovações e restrições à construção da usina, o que intensificou ainda mais a polêmica.

Construção da Usina de Belo Monte benefícios

Mapa Belo MonteO maior benefício envolvido na construção da Usina de Belo Monte seria o grande aumento na disponibilidade de energia disponibilizada para o Sistema Interligado Nacional (SIN). Tal melhoria cairia como luva para os cofres do país, que até então possuíam a usina de Itaipu (dividida com o Paraguai) como sua maior hidrelétrica.

Os outros benefícios ocasionados pela construção da usina de Belo Monte envolvem a geração de empregos na área, além da dinamização da economia local. Os favoráveis à construção da usina permaneceram firmes quanto ao fato de que Belo Monte traria muito mais benefícios do que impactos negativos, alegando serem controlados os riscos inerentes à construção da usina. Tal afirmação, até hoje, foi a que causou mais controvérsias.

Construção da Usina de Belo Monte impactos

Rio XinguA professora Sônia Magalhães, doutora pela Universidade de Paris e atuante no na Universidade Federal do Pará, prevê que “haverá um genocídio” por conta da construção da Usina de Belo Monte. A alteração no escoamento do Rio Xingu resulta, principalmente, na redução do fluxo de água, o que afeta a flora e fauna locais. Segundo acadêmicos e ambientalistas, a mudança drástica no ecossistema da região fará com que desapareça boa parte dos peixes e da vegetação existentes, afetando diretamente a subsistência dos povos ribeirinhos e indígenas do local. Também foi muito questionada a viabilidade econômica da construção da usina, pois, em tempos de seca, Belo Monte atuaria com potencial energético muito abaixo da média (a usina não tem reservatórios, portanto depende das chuvas para manter sua média de água).

O IBAMA organizou um relatório com os 32 principais impactos, positivos e negativos, causados pela construção da Usina de Belo Monte. Enquanto alguns favoráveis defenderam que 20 milhões de brasileiros terão energia elétrica garantida, os contrários alegavam vários e graves problemas potencialmente causados pela usina. A discussão a respeito da usina de Belo Monte se transformou em um dos maiores divisores nacionais de opinião, e levantou um importante diálogo a respeito dos direitos da população indígena e do, por vezes desenfreado, desenvolvimento da urbanização.

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Amoedo
09/10/12


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