Quadro O Grito é leiloado por US$120 milhões

A versão de O Grito de propriedade particular foi leiloada em NY e alcançou o maior valor já arrematado por um quadro na história.

O quadro O Grito é exposto na casa de leilão SothebysA única versão de propriedade privada da obra “O Grito”, ícone do movimento expressionista na Europa, de Edvard Munch, foi leiloada na última quarta-feira, 02 de maio, na casa Sotheby's de NY. Confirmando expectativas dos especialistas da terceira arte - que sublinham o leilão como um dos mais raros e singulares dos últimos 150 anos - a obra alcançou o maior valor já arrematado por um quadro na história: US$120 milhões. Até então, o recorde era do leilão de "Nu, Folhas Verdes e Busto", de Picasso, que alcançou US$ 106,5 mi em 2010.

A versão leiloada de um dos trabalhos mais icônicos da história – visto que, por si mesmo, o quadro obteve mais repercussão e fama do que seu próprio criador – pertencia à família do empresário da Noruega, Petter Olsen, há mais de 7 décadas. Petter declarou ter vivido com esta obra por toda a sua vida. “Seu poder e sua energia só aumentaram com o passar do tempo”, revelou.

A obra maestral

O Grito de 1895, de lápis encerado e têmpera sobre papel.Para a arte, “O Grito”,  de lápis encerado e têmpera sobre papel,  é símbolo da angústia existencial e do desespero da era moderna.

Em um de seus diários, o artista  expressionista que estudou em Oslo relatou como se inspirou para criar a obra: “Passeava com dois amigos, o sol se punha, e de repente o céu ficou vermelho cor de sangue. Parei, surpreso, me apoiei contra um alambrado e vi sangue e línguas de fogo sobre o fiorde e a cidade. Meus amigos seguiram, mas eu fiquei lá, tremendo de medo. Senti um grito infinito que passava pelo universo”. O fragmento tem data de 22 de janeiro de 1892.

Um dos fatos curiosos que cercam “O Grito” são assaltos de 1994 e 2004. No primeiro, em 12 de fevereiro, dois ladrões quebraram o vidro da Galeria Nacional de Oslo e levaram a versão de O Grito, na época avaliada em US$ 72 milhões. No local, deixaram um cartão com a imagem de 3 homens rindo – provavelmente em uma sátira à obra – e uma frase: “Muito obrigado pela segurança precária”. Três meses depois o quadro foi recuperado pela polícia local.

Em 2004, depois de render um funcionário do Museu Munch, dois assaltantes roubaram uma versão de O Grito e o quadro Madonna. O assalto aconteceu enquanto o museu estava aberto à visitação, em um domingo de agosto. Os quadros foram encontrados 2 anos depois, com avarias consideradas irreparáveis.

O criador

Entre o Relógio e a Cama, Auto-Retrato de Munch de 1940Edvard Munch nasceu em Löten, na Noruega, em 12 de dezembro de 1863. Seus primeiros trabalhos, retratos e quadros que ilustram uma negação ao impressionismo da época, datam de 1880.

Munch continuou seus trabalhos em países como França, Alemanha e Itália. Da amizade com o dramaturgo Ibsen surgiram cenários e figurinos e também as inspirações para trabalhos de atmosfera fria. Depois de 1890, essa atmosfera condensa-se e passa a adquirir caráter mais simbolista, no que os historiadores chamam de “teor quase histérico”. Dessa época datam as obras "O vampiro", "A angústia" ou "O grito".

Em 1910 e de volta à Noruega, adotou um estilo de cores mais claras e de espírito mais brando. Durante a II Guerra Mundial, o trabalho de Munch foi considerado degenerado pelos nazistas e retirado dos museus de domínio alemão. O artista faleceu em janeiro de 1944.

Revisado em 25/06/2014
Publicado em 03/05/2012 por Jessica

Mais informações por email


Comentar